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12.11.09

de vez em quando os insights surgem donde menos se espera

julgo que maria filomena mónica provoca sempre algumas reacções pela forma despreocupada como fala sobre a sociedade portuguesa. esta sua forma de falar coloca-a por vezes num patamar próximo do de medina carreira ou de ernâni lopes, ou seja, as pessoas não a levam muito a sério apesar de afirmar coisas cobertas de racionalidade e oportunidade. é pena, porque, zappava eu no outro dia, quando filomena mónica estava a ser entrevistada pelo melhor jornalista televisivo em funções das tv's portuguesas, mário crespo. nessa entrevista mfm alertou para os meandros partidários, e para a inevitável consequência da arquitectura política da república (hellas) portuguesa: o estado de partidos que portugal é, conduz inevitavelmente à corrupção, e se não houver alterações profundas do modelo de representação existente e nas regras procedimentais dos eleitos, o descalabro e o caos continuarão a grassar, e à "face oculta" se seguirá, a "face encoberta e a face desmaiada e a face nebulosa e a face cinzenta e a face....". para quando um registo da defesa de interesses, um registo de lobbistas e regras claras sobre esta profissão, de modo a que esta profissão (lobista) não continue a ser confundida com tráfico de influências e deputados em segundo emprego?

24.10.08

"O Lóbi na União Europeia"

Martins Lampreia lançou mais um livro juntamente com Daniel Guéguen. Martins Lampreia é o único lobista português acreditado junto do Parlamento Europeu. Guéguen é um especialista francês nas questões da UE. Juntaram-se para escrever sobre aquilo que muitos continuam a confundir com encontros ocultos e trocas de influência.

20.3.08

crónicas # 4 oje sobre lobbying

“O desconhecimento leva à desconfiança, e por consequência ao cinismo e à hipocrisia”. Lembro-me sempre destas palavras, a seu tempo ditas por uma professora da Freie Universität Berlin, quando em Portugal se fala de Lobbying. O tema voltou recentemente a ser falado entre nós devido ao facto do presidente de uma agência de comunicação ter escrito ao Presidente da Assembleia da República pedindo acesso especial dos seus funcionários aos corredores do Parlamento.

Gerou-se uma certa discussão pública sobre a situação, mas uma vez mais as questões centrais relativas aos “Public Affairs” e ao “Lobbying” foram abordadas pela rama. O acesso pretendido por essa empresa, é aquele que qualquer pessoa hoje tem aos ilustres deputados e aos grupos parlamentares. Estou convencido que a publicitação da referida carta, e das intenções a ela subjacentes, resultam da inteligente vontade de legitimar a presença dessa agência nos corredores de S. Bento. Solicitamente os serviços da Presidência da AR anunciaram que vão investigar a matéria, e, por certo, iniciarão os seus trabalhos por tudo aquilo que já foi feito na própria AR. Espero enganar-me, mas julgo que esta nova investigação vai ter o mesmo destino de todas as outras feitas até à data.

Aquilo que me incomoda na discussão sobre estas matérias em Portugal, é que toda a gente sabe que o processo legislativo no nosso país é complexo, multipartido e carregado de momentos consultivos, mas ninguém quer assumir essas características. Toda a gente sabe que uma infinidade de agentes económicos, sociais e políticos, interagem com os mais diversos níveis das máquinas executiva, legislativa e administrativa, mas ninguém chama pelo nome estas interacções. Toda a gente critica as estratégias de defesa de interesses que as mais diversas entidades utilizam, quando na comunicação social aparecem a dar recados à governação, mas ninguém faz nada para regular este mercado da opinião e da defesa de interesses. Toda a gente sabe que muitas sociedades de advogados, consultoras de comunicação, consultores de estratégia, entre outros se dedicam aos Public Affairs, à consultoria em Políticas Públicas ou ao conselho em Lobbying, mas ninguém pretende discutir abertamente estas questões ou contribuir para a sua clarificação.

Com esta estratégia de avestruz a ser posta em prática, iremos continuar a alimentar a desconfiança e a suspeição, o cinismo e a hipocrisia relativamente a uma actividade legítima e necessária à democracia que é o Lobbying.