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15.1.10

"red bull não te dá asas, lisboa!" ou "museum of innocence 2010"

İstanbul 2010 - Avrupa Kültür Başkenti.

este ano a efémera distinção de capital europeia da cultura vai ser carregada por istambul. a turquia entrou no meu imaginário depois de deixar de ter golpes de estado orquestrados pelos militares e quando, num qualquer congresso da nossa área, conheci um director-geral de uma agência de comunicação de Istambul, que em alguns minutos tratou de me demostrar que a turquia era muito mais que umas ruínas gregas, umas praias bem ocidentais e 15 volumes de contributos para a história universal. há 10 anos asseguravam-me que, não só a cultura turca estava fortíssima como havia um espírito de renovação, inovação e criatividade que iriam dar que falar. passado este tempo, os rp's turcos por aí andam em tudo o que é associação internacional, têm parcerias com tudo o que mexe e os académicos começam a marcar algumas posições.

mas toda esta prosa vem a propósito de İstanbul 2010 - Avrupa Kültür Başkenti, e de uma iniciativa que demonstra o que me fascina na cultura do bósforo: um dos "plats de resistance" da programação é a abertura, para este acontecimento, do "museu da inocência". quem acompanha a obra do Nobel Orhan Pamuk reconhece imediatamente o nome do museu e, consequentemente, a sua temática. o livro fascinou-me, mailo intricado emocional da história de kemal e füsun, tal como já me fascinara a cinematografia turca de guney a erdem.

tenho pena, pois tenho! que esta inovação não seja nossa. tenho pena que não consigamos estes rasgos de "lateral thinking" e que, apesar da pós-modernidade da iniciativa, não consigamos pôr lisboa ou porto, na rota da atenção dos "trend finders" como os turcos fizeram, e que apostemos em iniciativas à "minipreço" como aquela corrida red bull que se anuncia para a capital. é triste que não tenhamos mais iniciativas à altura (antónio costa mais os seus "jardinzinhos de proximidade" não me convencem!) e que, já agora, não tenhamos um escritor que trate tão bem lisboa, como pamuk trata istambul

13.1.10

balanços




2009 deixa algumas marcas. para memória futura (ah! como gosto desta expressão!) ficam alguns factos que num balanço rápido agitaram a minha prosperidade:

i) balsemão foi agraciado como personalidade de media da década pela M&P: justíssimo...é o único dos media tycoons que alguma vez escreveu um texto num jornal que não um relatório e contas da holding;

ii) i, é mesmo muito bom jornal; tem uma grande direcção, grandes jornalistas, grandes colunistas...rai's parta! é mesmo bom;

iii) diário económico, continua a evoluir enquanto todos os outros pararam ou involuiram,

iv) pedro reis e imago, quando todos davam a imago como morta, eis que pedro reis pega na empresa e dá-lhe uma nova vida, e ei-la de volta à arena;

v) m public relations, tem vindo a afirmar o seu espaço, sem necessitar de esticar-se nos meios da especialidade, e vários são aqueles que elogiam o excelente trabalho que realizam; ainda no campo dos newcomers, fica o registo da special one do rui calafate

vi) delta cafés,fui passar uns dias a marraquexe e no lonely planet indicavam que o melhor café de marraquexe se bebia no "café du livre"...lá fui eu (só quem viaja por marrocos é que percebe o quão necessário é, nos deslocarmos a um sítio onde nos garantem haver bom café). e, surpresa e orgulho, o café era delta;

vii) edp renováveis, que bom é atravessar espanha e ver aqueles sorrisos verdes no topo das "bentoinhas", que pelos vistos, vão continuar a ser plantados por terras e mares nunca dantes navegados. o laranja da galp também deixa boas sensações.

viii) angola ou de como o petróleo definitivamente é essencial para a economia portuguesa

ix) marcelo rebelo de sousa continuará a ser o melhor; seja na RTP (estúpida interpretação de equidade no serviço público que estes sujeitos têm) seja noutro qualquer canal, marcelo é único na sua ocupação do espaço (percebe como ninguém o campo da política e o campo dos media)

x) campanhas eleitorais: no ano de todas as batalhas, Portugal perdeu: elegeu novamente o pior que poderia ter elegido para as várias frentes possíveis: se não fosse triste daria para rir: alberto martins como ministro da justiça, santos silva como ministro da defesa, mendonça nas obras públicas, aquele senhor da segurança social na economia; é cómico-trágico. mas isso não é o mais relevante aqui: foram feitas as piores campanhas eleitorais que tenho memória. em termos de avaliação de resultados deve haver muito incompetente a tentar perceber como é que o dinheiro que se gastou (e gastaram-se muitos milhões)não teve resultados: pergunta obtusa já que a resposta é óbvia.

xi) blogs: num ano em que estive ausente gostei da companhia do PiaR, do Buzzofias, e do Food for Thought. é pena que o LPM continue a sua yellow brick road e que outros grandes comunicadores não se aventurem (tanto teriam para dizer).o alexandre e o rodrigo do Piar e o pedro (Buzzofias e Oak Brands) fazem a diferença.

xii) "marketing vencedor" e "rp sem croquete" acabam por marcar o campo editorial do ano 2010

xiii) a distinção de "campanha do ano", vai sem dúvida para aquela feita pelas farmacêuticas produtoras da vacina da gripe A, sobretudo porque conseguiram enganar os mesmos duas vezes...e como não há duas sem três, cá estaremos daqui a 2-3 anos para dar a mesma distinção às mesmas farmacêuticas por uma "outra gripe qualquer"

20.11.08

Campanha de RP do Ano 2008


Escrevi isto aqui 3ªfeira. O LPM escreveu isto ontem. Pelos vistos concordamos que o prémio de campanha do ano vai para o Ensino Básico e Secundário Privado.

24.9.08

Os prémios AMEC e o state-of-the-art na avaliação em Comunicação



o dummyspit apresenta um balanço muito curioso sobre aquilo que foi a sua participação nos prémios do AMEC e sobre o ambiente de "metrics" e "measurement" actual. O meu artigo desta semana no OJE vai ser, curiosamente, sobre isto.

Não dispensando a leitura do original, aqui vai um "picanço" do texto:

" When media evaluation is combined with qualitative research on political and social issues, very powerful and valuable insights can be offered.

- There is growing confidence amongst evaluators with more offering well-based consultancy advice to clients. That shows growing maturity in the business.

- Compared with the 2007 AMEC awards, which I also chaired, online PR and media is now being included in many evaluation programmes. But much needs to be done on valid and reliable analysis.

- Coordinated cross-country analysis is developing, with much greater allowance for national media culture differences. For sophisticated organisations, there is less emphasis on uniform delivery of messages across greatly varying cultures.

- More debate is needed on the use of ‘Return on Investment’ as a measure. In many instances, it is strictly applied as a financial benchmark which ignores the contribution that PR makes to organisational strategy and efficiency of operations.

-It’s disturbing to find organisations having prime PR objectives such as generating a volume of coverage (e.g. “1000 clips a year”) but ignoring the communication of key messages or influence on attitudes or stakeholders.

- There needs to be much greater understanding of statistical terms such as “correlation”. To imply that a distributed message is correlated with behaviour, such as product purchase, is the old problem of the “substitution game” in which outputs are presented as outcomes. If evaluators claim correlation, then they have to show the reliability and validity of their methods."

15.4.08

the press sphere by the buzz machine






o post completo é especulativo mas bom e pode-se ler aqui. Os gráficos que explicam um emergente "fantástico novo mundo" dos media, são muito interessantes. A reflectir, por quem faz notícias e por quem é fonte

20.3.08

crónicas # 7 oje merry-go-round

A Coca-Cola e a Toblerone lançaram recentemente novas campanhas publicitárias. Ambas me conquistaram. A Coca Cola criou algum “buzz”, porque lançou um dos filmes publicitários mais longos dos últimos anos. O segundo, mais discreto, conquistou-me numa sala de cinema, e segundo me parece também já anda aí nas televisões. Refiro-me a estas duas peças promocionais porque seguem as duas, uma nova lógica de construção de mensagens publicitárias. Não só uma nova lógica, como uma nova estética. A estética, “à la Tim Burton” (são visíveis as influências de ”Charlie e a Fábrica de Chocolate”), remete-nos para um imaginário retro, rico em detalhes e que, nessa perspectiva, interage com o espectador que procura ser surpreendido. A lógica, é a do envolvimento do espectador, e do consumidor, com uma história que se conta, num desenvolvimento em narrativa clássica. Agora contam-se histórias! As marcas que já têm um património reputacional bem consolidado, não precisam de fazer alarido. Insinuam-se, seduzem, levam os consumidores a envolverem-se com a cultura da marca. Como diz Luiz Moutinho da University of Glasgow , vivemos tempos de comunicação participada, em que o consumidor tem que estar envolvido para sentir a diferença das marcas com que contacta. Mais do que consumidores, as marcas começam agora a ter “fansumers” que falam e elogiam todas as experiências com as marcas. A propósito: não sou consumidor de nenhuma daquelas marcas; apenas admiro as marcas.

crónicas # 5 oje sobre comunicação pública

O actual primeiro-ministro é um dos chefes de governo mais prudentes, em termos de gestão da imagem, que Portugal teve nos últimos tempos. Consegue grandes níveis de eficácia na gestão dos conteúdos e dos relacionamentos com os mais diversos sectores da sociedade portuguesa. Em termos pessoais, tem gerido com “mão de ferro” a agenda do executivo e de forma sábia tem mantido a liderança do discurso sobre os assuntos públicos, conseguindo que poucos sejam os temas essenciais à governação, e às percepções da população sobre eles, que escapem à marcação efectuada pelo seu staff. Só há uma área deste sistema de comunicação pública, exemplarmente montado, que tem escapado ao chefe do executivo. Refiro-me, obviamente, ao que de mais imponderável há no universo: as pessoas. Por muito que o chefe do governo defina regras, estabeleça princípios e acerte compromissos com os membros do seu governo, não consegue controlar aquilo que são as formas de trabalhar próprias e as personalidades mais ou menos carismáticas que os diversos Ministros apresentam. É por essa razão que, de vez em quando, Sócrates chama a si certos dossiers e processos. É inevitável. É o modo mais imediato de gerir as contingências e limitar alguns danos inerentes a certas tomadas de posição individuais. Ministros há, que esquecem, pontual ou sistematicamente, as suas posições relativas num sistema mais vasto que é o da governação do país. Como cidadão, gostava que todos os governantes soubessem estar na vida pública e que tivessem uma noção clara da sua posição e do papel social que desempenhavam enquanto representantes do Estado. Com esta afirmação não pretendo pôr em causa a valia técnica, nem os méritos enquanto especialistas nas suas áreas. Muito menos questiono o trabalho de planeamento e programação dos gabinetes ministeriais. Aquilo que me desgosta e que não queria que acontecesse é o descuido relativamente à dimensão explicativa e discursiva inerente ao exercício de cargos públicos. Quem está nestes cargos está ao serviço do país e dos cidadãos, a quem tem que obrigatoriamente explicar as razões pelas quais está a tomar decisões e porque são aquelas as melhores para o país. Para além das dimensões política, técnica e ético-política, há outras duas dimensões essenciais à governação: por um lado a dimensão representacional; por outro a comunicativa. Gostava que os mais ilustres comentadores políticos da nossa praça, que enchem os nossos serões televisivos, não tivessem que explicar isto todas as semanas.

19.3.08

campanhas #2 free tibet

a luta é de sempre e será para sempre. mas nem sempre é o momento certo para se falar. nem sempre há os bons interlocutores e os bons porta-vozes. nem sempre o contexto é o mais propiciador de buzz em torno daquilo que interessa. os símbolos nem sempre são compreendidos. desde há um mês que os tibetanos, no tibete e no exílio, estão a agir e a falar. todos os dias lutam, mas só agora estão a agir e a fazer-se ouvir. e há uma janela de oportunidade que está a ser aproveitada a propósito da visibilidade dos olímpicos de 2008 em pequim. estão a tentar conjugar tudo: acção e comunicação, contexto e texto. e este é o modo certo para actuar. esperemos que resulte

18.3.08

trends #2 storyteling quick checklist



Why use stories:
􀂉 To break barriers
􀂉 To put information into context
􀂉 To be persuasive
􀂉 To make an emotional connection
􀂉 To enliven a presentation of facts and figures
􀂉 To keep you foremost in people’s minds
􀂉 To give you control of the spotlight

How to use stories:

􀂉 Spark transformations
􀂉 Build community
􀂉 Ignite innovation
􀂉 Learn (and unlearn) from experiences
􀂉 Share values
􀂉 Create and promote culture
􀂉 Build organizational capacity
􀂉 Shape and speed action

Where to use stories:
􀂉 Corporate histories
􀂉 Business plans and proposals
􀂉 Product development and launches
􀂉 Product messaging
􀂉 Case studies and success stories
􀂉 Customer and employee profiles
􀂉 Executive profiles
􀂉 Sales and training materials
􀂉 Newsletters
􀂉 Magazine articles
􀂉 Advertising copy

Qualities of a story:
􀂉 Narrative—a beginning, middle and end
􀂉 Suspense—something that holds our interest and makes us want to find out what happens next
􀂉 Visual details—we can picture what takes place
􀂉 Emotional content—such as fear, greed, anger, happiness and love
􀂉 Credibility—a trustworthy voice or narrator
􀂉 Optimism—faith in the ability to triumph over obstacles

Some kinds of stories:
􀂉 Legend
􀂉 Fable
􀂉 News
􀂉 Humorous
􀂉 Anecdote
􀂉 History

10.3.08

campanhas # 1 benetton

a benetton faz arte. ou será ciência? cria bons produtos, criou uma fabrica para gerar boas ideias, cria desde há anos boas campanhas. tem vindo ao longo dos anos a gerar boas histórias sobre si recorrendo a um eixo simples: "story telling" nas media relations. há spin? é lógico que há; há óptimos profisionais a trabalhar o corporate brand com uma incrível consistência ao longo dos anos. mas há algo mais...que atrai. há conceito. há preocupação. há comunicação mas com social responsibility. podiam fazer uma ad campaign clean com apelo humanitário. mas não! para eles isso não chega! a empresa...apoia acções.

sobre o que fazem, dizem que este ano a "benetton puts the spotlight on entrepreneurial Africa. Its global communication campaign for 2008 promotes the Birima micro-credit programme in Senegal, a co-operative credit society founded by the Senegalese singer Youssou N’Dour. The programme will also receive financial support from Benetton Group."

podiam dizer que africa é linda e que todos temos que ajudar. mas não: eles ajudam, dizem que ajudam e fazem disso campanha para apelar a que outros o façam. estão noutro patamar. quantas lições as empresas portuguesas podiam retirar desta forma de pensar a comunicação. grazie