31.10.08

sobre o poder dos intangíveis


Todos aqueles que não acreditam na força dos intangíveis deviam fazer o seguinte teste em público: sem qualquer explicação peguem em 100 rosas encarnados e ofereçam a 100 mulheres e terminem com um sorriso (sem razão nenhuma, só por impulso!); sem qualquer explicação peguem em 100 notas de 20 € e ofereçam a outras 100 mulheres e terminem com um sorriso (inspiração obtida junto de David Philips)

Não sei quais vão ser as percentagens exactas, mas posso garantir-vos que a recusa em aceitar o oferecido será inequivocamente maior relativamente ao dinheiro. A explicação que pode ser dada está relacionada com o valor atribuído, com os significados associados a cada um dos gestos, com as reputações dos envolvidos e com as repercussões nessas mesmas reputações.

Este conjunto de intangíveis justificam o sucesso ou insucesso da acção...mesmo que com uma nota de 20€ possam ser compradas bastantes rosas!

30.10.08

David Philips na ESCS, parte II

quem lá foi não ficou a perder. sala cheia para assistir a um excelente comunicador, que não precisou de muito tempo, para falar de coisas muito importantes, e que demonstrou como com pequenas metáforas se podem passar grandes mensagens. para a história fica também a ideia que aqui deixo: as provas que damos e os valores que associamos a uma relação, os significados que extraímos dos actos e de quem os faz, são o seu segredo e a essência dos relacionamentos. são eles que conduzem ou não à confiança inter pares e consequentemente ao sucesso relacional. a explorar num futuro post. a ESCS está de parabéns: grande encontro, boa palestra.

29.10.08

o mal triunfa quando os bons nada fazem: reACT

a coisa não está fácil aqui ao lado!


‘La crisis afecta a todos los sectores y stakeholders, tiene alcance mundial, costará muchos puestos de trabajo y provocará que más de una compañía tenga que cerrar', declaração de Benito Berceruelo, Consejero Delegado de Estudio de Comunicación, hoje, ao Diário Cinco Dias

28.10.08

Lift + Imago: foi por pouco

Diário Económico, 29-10-08, p.62

crises: berrar com efeito contrário


hoje é o dia dos comunicados publicitários. quer o BPN como a Liscont decidiram pagar espaço publicitário para o utilizar da forma errada. a publicidade alerta e chama atenção, eventualmente reforça conceitos que já lá estão, mas nunca em lado algum em momento qualquer, a publicidade consegue, adequadamente, explicar racional e detalhadamente, mensagens complexas. estes investidores decidiram berrar quando não deviam. O cúmulo vem do BPN...nega mas depois aceita que os cartõezinhos no sistema netpay até pagam comissões...mas que o problema não é deles...antes do cliente que é estúpido! esta completa inépcia no tratamento da crise assusta-me. o primiero resultado prático é este...eu nunca irei fazer compras onde houver terminais netpay e quem me chamou a atenção para isso foi...a netpay. quanto à Liscont...bem, vou engrossar a partir deste momento a lista de descontentes e vou fazer os possíveis para que a situação seja esclarecida. neste caso o comunicado veio dar uma dimensão e uma saliência ao assunto que eu não conhecia e nem sabia que o movimento que se gerava já estava a afrontar o establishment ao ponto de gerar...comunicados publicitários.
só tenho pena que estas empresas não saibam que a melhor gestão de crises é a prevenção e que há consultores que sabem lidar com estes temas (mail acima)

Afinal já não sei se o Jornal de Negócios errou


Afinal não há nenhuma parceria entre a Lift e a LPM relativamente à ZON. De acordo com fonte da ZON o que há é um projecto ZON ganho pela Lift....e mais não sei.

P.S. Este texto foi revisto às 18H00 e qualquer coisa

24.10.08

"O Lóbi na União Europeia"

Martins Lampreia lançou mais um livro juntamente com Daniel Guéguen. Martins Lampreia é o único lobista português acreditado junto do Parlamento Europeu. Guéguen é um especialista francês nas questões da UE. Juntaram-se para escrever sobre aquilo que muitos continuam a confundir com encontros ocultos e trocas de influência.

Youngnetwork / Cohn and Wolfe



Habituei-me a gostar da Cohn and Wolfe. Porque inovou, porque se antecipou porque lutou e porque soube construir uma reputação. A partir de agora a Youngnetwork, que já representava a GCI (que se fundiu recentemente com a C&W), representa em Portugal e na Croácia a C&W. Boas notícias para ambas (Young+C&W).

A C&W é uma empresa WPP, o que faz da Youngnetwork prima da Hill & Knowlton e da Lift.

Parceria Lift/LPM para o Natal Zon 2008

notícia no jornal de negócios de 24.10.2008

23.10.08

David Philips na ESCS

O Departamento a que pertenço na ESCS (Comunicação Organizacional) organiza no dia 29 de Outubro o seu regular encontro (11º). Este ano tem "special guest star": David Philips, provavelmente um dos melhores pensadores das RP actualmente em acção. A não perder, o programa está aqui.

Nota: este texto foi revisto graças à irrepreeensível monitorização feita pelo Bruno Amaral. Com efeito este é o 11º Encontro do Departamento de Comunicação Organizacional... eu devia saber isto porque estive envolvido na organização do 1º!

17.10.08

confusão de pastas


A Freud Communications meteu-se numa confusão porque só revelou no último momento que a anunciada mudança de nome de pizza para pasta hut era somente temporária. Agora a barraca está instalada porque ninguém consegue perceber como é que aqueles restaurantes fora-de-moda e pirosos se vão chamar a partir do início do ano. História a seguir com atenção. Como é que a Ibersol cá em Portugal reage a isto?

15.10.08

quem é que dá cartas, quem é?

2 jogos. 2 vitórias. 2 grandes exibições. a tapada manda. e este ano tenho 2 alunos da ESCS, jogadores na equipa senior. mai'nada.

crónicas #15 OJE : confiança nas empresas



Num momento em que tanto se fala sobre a crise financeira, vale a pena pensar sobre a confiança. No dia em que escrevo estas linhas, o OJE diz que os bancos centrais anunciaram uma injecção de liquidez para travar a crise e recuperar a confiança no sistema financeiro; como consequência, as Bolsas reagiram em alta e a Euribor regista uma enorme queda.

A "confiança" traduz uma expectativa de que as palavras e promessas de outros sejam cumpridas e que os seus actos sejam verdadeiros ou fidedignos. É um juízo sobre a capacidade que alguém tem de ser honesto, cumpridor, rigoroso e competente. Aquilo que hoje sabemos, na senda daquilo que Fukuyama escreveu em 1995, é que a confiança é essencial para a construção de relações, que por sua vez influenciam o capital social de uma sociedade e o seu bom funcionamento. Também ao nível das empresas sabemos que quando os níveis de confiança são maiores, as relações são mais estreitas, eficientes e eficazes.

Quando sabemos com que contar e quando conhecemos o carácter de quem está do outro lado, é mais fácil prevermos os desenlaces e consequências das interacções em que entramos e , por essa razão, apostarmos mais fortemente nos relacionamentos mantidos. Sem a existência de confiança, o "castelo" cai por terra minado pela suspeita e pela dúvida sobre as verdadeiras intenções daqueles com quem nos relacionamos. A confiança demora a ser construída, depende da percepção de quem observa e analisa, e sustenta-se nos actos e nas palavras de um sujeito.

Numa sondagem feita pelo Institute for PR, perguntava-se o que deveriam fazer as empresas para reconstruir a confiança; as respostas foram claras: 94% indicaram que as empresas deviam ser honestas e transparentes nas suas práticas de negócio; 93% que deviam comunicar mais clara, efectiva e directamente; 83% apontaram a necessidade de visivelmente demonstrarem preocupação e consideração pelos seus funcionários; enquanto 50% referem que a Administração deve ser irrepreensível nas suas palavras e actos.

É certo que a sondagem feita há 5 anos se refere ao universo empresarial norte-americano, mas não tenho dúvida que as suas conclusões dão algumas luzes sobre o que as empresas têm de fazer no "day after" em que entrámos.

McKee em Portugal


O mais conhecido e respeitado especialista mundial na área da escrita de argumentos vai estar em Lisboa nos dias 14, 15 e 16 de Novembro, para apresentar o Seminário "Story". O evento decorrerá em Lisboa, nas instalações da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS) e terá a duração de três dias. Robert McKee apresenta regularmente o seminário Story, com audiências esgotadas em todo o mundo. Essencial para quem quer aprender a contar uma história.


Os alunos da ESCS (e docentes, espera-se!!!), pagam 450€.

14.10.08

Portugal lá fora

mais umas quantas referências a Portugal nas melhores revistas do mundo. desta vez na Monocle, p.75 e p.142. já na anterior edição a monocle tinha colocado lisboa como uma das 25 cidades "para se viver"

conceito III


há espaço para uma "empresa de conselho" que demonstre a força dos intangíveis gerados pela comunicação e o seu impacto nos negócios das empresas? acho que sim

conceito II


há espaço para uma "boutique" de estratégia que apoie empresas, agências e consultoras a obter mais resultados na sua relação com o mercado e com a sociedade? acho que sim

conceito I


há espaço para uma "empresa de conselho" focada na melhoria dos processos de comunicação e no incremento da sua eficácia por parte de agências, consultoras e empresas-clientes? acho que sim

13.10.08

continuando a minha cruzada contra os AVEs


grande entrada da KD Payne sobre aquilo que devemos responder a quem nos pede os AVEs para avaliar campanhas. aqui

flogs: não há nada pior do que...

do que uma decepção na blogosfera. que o digam muitas empresas que utilizam os blogs como ferramentas de venda, e que começam a ser brindadas com o "tag" em questão. nas palavras do Holmes report "flog" é a PR buzzword de 2007 e do momento.

dúvida existencial?


no mesmo dia a conferência da ERC e a inauguração do DOC Lisboa? alguém tem dúvidas de qual é imperdível e que vai valer mesmo a pena?

10.10.08

ética III

um grande artigo sobre ética nas RP encontra-se aqui e a autora é Shannon Bowen

ética II

se este código fosse vinculativo neste país, quantas empresas e profissionais não estariam em dificuldades!

ética: só para recordar que ela existe nas RP, e que até há um Código Internacional, que por acaso é de Lisboa

European Code of Professional Conduct in Public Relations
(Code of Lisbon)

Officially adopted at the General Assembly of CERP in Lisbon, April 16th 1978, and adopted by all the 18 National Associations (from 15 European Countries) who are institutional members of CERP.


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Section I - Criteria and standards of professional qualification of practitioners bound by this Code

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Clause 1

Every professional member of (national association) duly admitted as such in accordance with the rules of (national association) is deemed for the purpose of this Code to be a public relations practitioner, and to be bound by the Code.


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Section II - General professional obligations

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Clause 2

In the practice of his profession the pr practitioner undertakes to respect the principles set forth in the Universal Declaration of Human Rights, and in particular the freedom of expression and the freedom of the press which give effect to the right of the individual to receive information, within the limits of professional confidence. He likewise undertakes to act in accordance with the public interest and not to harm the dignity or integrity of the individual.


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Clause 3

In his professional conduct, the pr practitioner must show honesty, intellectual integrity and loyalty. In particular, he undertakes not to make use of comment which is misleading or information which is false or misleading. In the same spirit he must be watchful to avoid the use, even by accident, of practices or methods incompatible with this Code.


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Clause 4

PR activities must be carried out openly: they must be readily identifiable, bear a clear indication of their origin, and must not tend to mislead third parties.


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Clause 5

In his relations with other professions and with other branches of social communications, the pr practitioner must respect the rules and practices appropriate to those professions or occupations, so far as these are compatible with the ethics of his own profession.


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Section III - Specific professional obligations:
Towards clients or employers


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Clause 6

A pr practitioner shall not represent conflicting or competing interests without the express consent of the clients or employers concerned.


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Clause 7

In the practice of his profession, a pr practitioner must observe complete discretion. He must scrupulously respect professional confidence, and in particular must not reveal any confidential information received from his clients or employers, past, present of potential, or make use of such information, without express authorization.


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Clause 8

A pr practitioner who has an interest which may conflict with that of his client or employer must disclose it as soon as possible.


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Clause 9

A pr practitioner must not recommend to his client or employer the services of any business or organisation in which he has a financial, commercial or other interest without first disclosing that interest.


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Clause 10

A pr practitioner shall not enter a contract with his client or employer under which the practitioner guarantees quantified results.


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Clause 11

A pr practitioner may accept remuneration for his services only in the form of salary or fees, and on no account may he accept payment or other material rewards contingent upon quantitative results.


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Clause 12

A pr practitioner shall not accept for his services to a client or an employer any remuneration from a third party, such as discounts, commissions or payments in kind, except with the agreement of the client or employer.


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Clause 13

When the execution of a pr assignment would be likely to entail serious professional misconduct and imply behaviour contrary to the principles of this Code, the pr practitioner must take steps to notify his client or employer immediately, and do everything possible to see that the latter respects the requirements of the Code. If the client or employer persists in his intentions, the practitioner must nevertheless observe the Code irrespective of the consequences to him.


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Towards public opinion and the information media

Clause 14

The spirit of this Code and the rules contained in preceding clauses, notably clauses 2, 3, 4 and 5 imply a constant concern on the part of the pr practitioner with the right to information, and moreover the duty to provide information, within the limits of professional confidence. They imply also a respect for the rights, independence and initiative of the information media.


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Clause 15

Any attempt to deceive public opinion or its representatives is strictly forbidden. Any form of blackmail, corruption or exertion of undue influence, especially in relation to the information media, is forbidden. News must be provided without charge and with no private understanding or hidden reward for its use or publication.


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Clause 16

If it should seem necessary to maintain the initiative in, and the control of, the issue and distribution of information, within the principles of this Code, the pr practitioner may buy space or broadcasting time in conformity with the rules, practices and usages in that field.

Towards fellow-practitioners


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Clause 17

The pr practitioner must refrain from unfair competition with fellow-practitioners. He must neither act or speak in a way which could tend to depreciate the reputation or business of a fellow-practitioner, subject always to his duty under Clause 19b of this Code.

Towards the profession


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Clause 18

The pr practitioner must refrain from any conduct which may prejudice the reputation of his profession. In particular he must not cause harm to his national association, its efficient working, or its good name, whether by malicious attacks or by any breach of its constitution or rules.

The reputation of the profession is the responsibility of each of its members. The pr practitioner has a duty not only to respect this Code himself but also:

a. to assist in making the Code more widely and better known and understood;

b. to report to the competent disciplinary authorities any breach of the Code which comes to his notice, c. to take any action in his power to ensure that rulings on its application by such authorities are observed and sanctions made effective.

Any practitioner who permits a violation of the Code will be considered as having himself breached the Code.

3.10.08

crónicas #14 OJE do output ao outcome nas métricas de comunicação


Desde 2005-6, seguindo as tendências internacionais e muito influenciado pelas exigências multinacionais, verifica-se um progressivo interesse pelo tema da avaliação da comunicação.

As "métricas" e o "PR measurement" passaram a ser palavras correntes, e a maioria dos executivos desta área começaram a tomar o ROI e os KPI como os grandes desafios das suas áreas profissionais.

Em teoria a preocupação é correcta, mas a prática tem vindo a desapontar e com alguma tristeza verifica-se que, na maior parte dos casos, a avaliação se esgota em indicadores de processo ("output") como sejam o volume de press releases saídos, o número de notícias publicadas, o número de eventos para jornalistas, e respectiva presença, ou, em casos de alguma sofisticação, a presença de "key messages" na comunicação social. A "cereja em cima do bolo" é sempre o cálculo do pomposo AVE (Adv. Value Equivalent) que é apresentado como a base para a determinação do ROI.

O problema é que todas estas métricas só servem para avaliar a qualidade dos processos desenvolvidos e não a qualidade da comunicação. Em vez de se avaliar o "outcome" continua a avaliar-se o "output". Num futuro próximo este paradigma tem necessariamente de mudar em Portugal, já que existem, e são correntemente utilizados a nível internacional, métodos para avaliar os "outcomes" (ao nível da mudança ou manutenção de atitudes, conhecimento e comportamentos) e, esses sim, dão conta do que é sucesso ou falhanço das estratégias de comunicação.

2.10.08

mais um acrescento à lista aqui ao lado

acrescenta-se o blog da Domingas ao conjunto que aqui já estava.

será que alguma vez a china vai merecer a nossa confiança?

isto de aderir à economia de mercado, sem passar pela série de etapas que levaram dezenas de anos a serem ultrapassadas pelas economias e sociedades ocidentais, tinha que ter consequências.

el merca'o de la comunicación

espanha! vos garanto que nem a crise abana as "ganas", a garra e a energia das consultoras de comunicação espanholas. e mais do que nunca tenho que dar razão ao senhor meu pai: é nos pequenos pormenores que se vêem as grandes pessoas (e as grandes empresas, acrescento eu!). mas apesar desta minha reflexão, continuo sem perceber porque é que estas consultoras, tão eficientes e eficazes por lá, nunca conseguem sair da cepa torta por aqui.